Profundidade, velocidade ou reinvenção: o que marca uma carreira consistente e longeva?
Existe uma narrativa ainda muito repetida no mercado de trabalho: a de que a carreira é uma linha ascendente, previsível, em que cada ano soma prestígio, renda e estabilidade. Para muitas mulheres, no entanto, essa história nunca foi tão simples (não é fácil bem nas carreiras mais fluidas, nos novos modelos de trabalho ou hierarquias). Nossas trajetórias são atravessadas por interrupções, sobrecargas invisíveis, desigualdades salariais, preconceito etário e a constante necessidade de provar — de novo — que ainda somos relevantes.
Depois de uma certa idade, essa pressão se intensifica. O mercado começa a nos tratar como custo, não como ativo. E, ao mesmo tempo, somos nós que acumulamos mais experiência, mais repertório e mais visão sistêmica.
Foi desse paradoxo que nasceu a minha própria reinvenção.
Comecei no jornalismo porque queria escrever e escolhi o meio revista porque queria impacto. Fundei uma editora para democratizar o acesso a livros e conhecimento. Passei por bastidores, por projetos, por crises e por mudanças profundas no mundo da comunicação. Busquei formações em desenvolvimento humano para auxiliar profissionais e empreendedores que, como eu, viviam tentando equilibrar a jornada. Hoje, o podcast JG TV é o capítulo mais recente — e talvez o mais significativo — dessa jornada: sair dos bastidores para ocupar um espaço de fala, mediação, curadoria e diálogo público, unindo e disseminando saberes das minhas áreas de atuação.
O podcast não é apenas um novo formato. Ele é uma consolidação de tudo o que veio antes. É o ponto em que experiência, escuta, repertório e coragem se encontram, na minha maturidade pessoal e profissional.
E essa lógica atravessa com ainda mais proximidade o quadro da semana, Juntas e Geniosas, que vai ao ar com Paula Felix Palma, Monique Elias e Gláucia Viola. Três mulheres que, como eu, não cabem em uma narrativa linear de carreira. Cada uma, à sua maneira, teve que reinventar seu lugar no mercado, reconfigurar seus projetos e reafirmar seu valor em um ambiente que insiste em nos empurrar para a margem por sermos mulheres e na medida em que envelhecemos.
O que nos une não é o fato de termos mudado de rota — é o fato de termos continuado. Continuado criando, produzindo, aprendendo, ocupando espaços. Reinvenção, nesse sentido, não é abandono do passado, mas integração dele em algo novo.
Para mulheres, falar de longevidade de carreira é falar de sobrevivência simbólica. É lutar contra a ideia de que nosso auge ficou para trás. É mostrar que maturidade não é obsolescência, mas profundidade. Que autoridade não nasce da juventude, mas da travessia.
Talvez o maior erro que o mercado cometa seja confundir velocidade com valor. E talvez a maior força que tenhamos seja justamente a de quem já percorreu muitos ciclos e ainda escolhe seguir.
Se 2026 nos pede algo, talvez seja isso: não parar no primeiro rótulo, na primeira função, na primeira versão de nós mesmas.
Não perca:
🎙 Podcast JG TV — Quadro da semana: Juntas e Geniosas Com Paula Felix Palma, Monique Elias e Gláucia Viola, debatendo desinformação, TDAH e violência contra mulheres → Assista no canal da JG TV a partir desta quarta, 28/01 (ative o sino para receber o lembrete)
Se essa reflexão ressoar, compartilhe. A reinvenção é mais potente quando é coletiva.
Originalmente publicado na newsletter Crescimento em Perspectiva, no LinkedIn. Para assiná-la, clique aqui.
Assista ao episódio completo:
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