JG TV revisita debates sobre carreira e os desafios da liderança
A JG TV completa um ano no ar e nesta terceira temporada reúne uma programação especial dedicada a alguns dos debates que marcaram a trajetória do podcast. Depois de iniciar a retrospectiva com um compilado sobre saúde financeira, endividamento e comportamento, o programa volta agora o olhar para liderança, carreira e desenvolvimento humano.
O novo episódio apresenta reflexões de convidados que passaram pelo podcast ao longo de sua primeira temporada, entre eles Gustavo Coimbra, da LHH; Renata Fabrini, da Plongé; Paola Klee, da Your Career Future; e Emerson Dias, TED + Speaker. Em diferentes momentos, os especialistas discutiram as transformações no mercado de trabalho e o que profissionais e empresas precisam desenvolver diante de novas formas de trabalhar.
A retrospectiva mostra que liderar deixou de significar apenas acompanhar tarefas e cobrar resultados. O papel envolve cada vez mais gestão de pessoas, conflitos, diferentes gerações, cultura, motivação, desenvolvimento e capacidade de adaptação.
Liderança exige capacidade de adaptação
Para Gustavo Coimbra, da LHH, a própria função da liderança ganhou novas responsabilidades. O líder passou a ocupar um espaço central em decisões relacionadas a contratação, desenvolvimento, desempenho e carreira, além de lidar com questões que extrapolam a rotina operacional.
“Hoje isso tá na mão da liderança, né? O líder e o liderado hoje precisam ter conversas de carreiras e conversas de carreiras administradas pela liderança individualmente”, afirmou Gustavo Coimbra, da LHH.
Nesse cenário, a resiliência aparece como uma competência importante. O especialista compara o líder a um “pulmão”, responsável por absorver as pressões que chegam de diferentes níveis da organização e traduzi-las de acordo com as necessidades de cada equipe.
A mudança também altera a expectativa sobre quem ocupa posições de gestão. Para Coimbra, o desafio já não está somente em entregar resultados de curto prazo, mas em exercer uma liderança capaz de engajar, motivar e construir valor.
“E aí sim tem desafio forte hoje para a liderança, que é a evolução nesse papel, que é a evolução de não só ser o tático da entrega de resultados de curto prazo, mas ser o engajador, o motivador, a referência, a reputação, a construção de valor”, explicou Gustavo Coimbra, da LHH.
Autodesenvolvimento muda a forma de liderar
A discussão também passa pela necessidade de o próprio líder continuar aprendendo. No episódio, Renata Fabrini, da Plongé, relaciona o desenvolvimento de uma liderança mais preparada à disposição permanente para ampliar repertório e compreender a si mesmo.
“São pessoas que o tempo inteiro colocaram como, assim, com muita disciplina, esse lugar de buscar o seu autodesenvolvimento, se conhecer”, afirmou Renata Fabrini, da Plongé.
Para ela, esse processo pode envolver diferentes caminhos de desenvolvimento e não se resume a uma única ferramenta. O objetivo é construir uma liderança com maior capacidade de escuta, leitura do ambiente e abertura para aspectos humanos presentes nas relações profissionais.
“Então eu acho que esse espaço aonde você tá constantemente tomando essas pílulas, sabe? Ele é aonde você vai se fortalecendo e ganhando musculatura de uma liderança que vai ter uma escuta mais ativa, de uma liderança que vai conseguir ter uma leitura de ambiente, que vai ter coragem para falar de sentimento”, destacou Renata Fabrini, da Plongé.
A perspectiva se conecta ainda aos desafios de equipes formadas por diferentes gerações. Em outro debate da JG TV, Fabrini destacou a importância de uma liderança mais consciente diante das mudanças no mundo do trabalho e dos conflitos que podem surgir entre profissionais de diferentes faixas etárias.
Carreira deixa de ser uma escada linear
Se a liderança mudou, a ideia de carreira também passou por uma transformação. O modelo em que o profissional entra em uma empresa, ocupa cargos sucessivos e busca chegar a uma posição de direção já não representa necessariamente o conceito de sucesso para todos.
Em conversa com Emerson Dias, a JG TV discutiu justamente a diferença entre uma carreira baseada em cargos e uma trajetória orientada por interesses, experiências e realização pessoal.
“O trabalho é fonte constituinte da nossa identidade”, afirmou Emerson Dias, TED + Speaker. Para ele, reduzir carreira ao próximo emprego ou cargo significa ignorar outras dimensões que influenciam as escolhas profissionais.
A chamada carreira subjetiva amplia essa perspectiva. Em vez de buscar exclusivamente uma progressão hierárquica, o profissional pode valorizar autonomia, qualidade de vida, experiências diversas, projetos ou outras formas de realização.
“Então eu acho que tem as duas coisas e acho que hoje você é menos estranho você falar de uma carreira que não seja linear”, explicou Emerson Dias, TED + Speaker.
A participação de Paola Klee, da Your Career Future, também integra o compilado dentro desse contexto de transformação das relações entre profissionais, competências e organizações. A discussão amplia o olhar para modelos como Open Talent, organizações orientadas por habilidades e talent marketplaces, em que competências passam a ter papel cada vez mais relevante na conexão entre pessoas e oportunidades.
Nem todo profissional precisa ser bom em tudo
A mudança na lógica de carreira também aparece na maneira como empresas identificam talentos. A ideia de encontrar um profissional que seja excelente em todas as competências perde espaço para uma abordagem mais orientada ao contexto e às necessidades específicas de cada posição.
“A gente já entendeu que você consegue tomar decisões de recrutar e buscar profissionais dependendo da competência core que você precise, mas que não é o mesmo profissional”, explicou Gustavo Goimbra, da LHH.
Segundo o especialista, uma pessoa pode ser especialmente adequada para reestruturar processos, enquanto outra pode apresentar melhores características para manter, desenvolver e ampliar uma operação que já está consolidada. A liderança, nesse sentido, precisa reconhecer potencialidades e compreender qual profissional pode gerar mais valor em determinado contexto.
Essa lógica também se relaciona à liderança situacional, que aparece no episódio como uma forma de compreender que diferentes momentos exigem diferentes competências. O profissional que se destaca em situações de crise ou transformação, por exemplo, não necessariamente será aquele mais adequado para conduzir uma fase de manutenção e crescimento.
Novas competências entram no centro da carreira
O episódio também recupera discussões sobre as competências exigidas pelo trabalho contemporâneo. Além das chamadas hard skills e soft skills, os convidados abordaram a importância de capacidades relacionadas à empatia, colaboração, relacionamento e construção de redes.
Em uma das conversas recuperadas pelo compilado, Emerson Dias chama atenção para esse movimento ao falar sobre as chamadas “heart skills”.
“Como é que eu consigo ter empatia com você? E a gente consegue fazer alguma coisa junto. Como é que eu consigo ficar do seu lado? Como é que eu consigo montar uma rede de relacionamento proativa?”, questionou Emerson Dias, TED + Speaker.
A reflexão mostra que o desenvolvimento profissional não está restrito ao domínio técnico. Saber trabalhar com outras pessoas, construir relações e reconhecer diferentes perspectivas também pode determinar a capacidade de adaptação em um mercado em transformação.
Protagonismo da carreira exige cuidado com a sobrecarga
Assumir o protagonismo da própria trajetória, entretanto, não significa transformar o profissional em responsável absoluto por todos os resultados. O compilado também recupera discussões sobre saúde mental, sobrecarga e burnout.
A busca permanente por desempenho pode criar uma lógica em que o profissional tenta sustentar múltiplas exigências simultaneamente, sem reconhecer os próprios limites. Nesse contexto, a discussão sobre novas formas de carreira precisa caminhar junto com a reflexão sobre sustentabilidade profissional.
A própria liderança também aparece como um espaço de possível isolamento. Quanto maior a posição ocupada na hierarquia, maior pode ser a dificuldade de encontrar pessoas com quem dividir dúvidas e decisões.
“Quanto mais você sobe na pirâmide do mercado de trabalho e atinge os níveis mais altos, você fica solitário”, afirmou Gustavo Goimbra, da LHH.
Para o especialista, mentoria, networking e diferentes fontes de aconselhamento podem ajudar profissionais que ocupam posições de liderança a lidar com desafios que não conseguem compartilhar integralmente dentro da própria estrutura.
Canal imperdível para você acompanhar
Ao completar um ano, a JG TV transforma a retrospectiva em uma oportunidade para revisitar não apenas os assuntos que passaram pelo programa, mas também as mudanças que estão redesenhando a relação das pessoas com o trabalho.
A pergunta que encerra esse compilado resume o espírito da programação especial: o trabalho mudou. E nós estamos preparados para mudar com ele?
Assista!
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