JG TV Casa Aberta Terceira Edição

Comunicação vai além da técnica: JG TV reúne entrevistas sobre autenticidade, liderança e relações humanas

Comunicar bem não significa apenas dominar técnicas de oratória ou saber organizar um discurso. A comunicação envolve presença, escuta, autenticidade, percepção do outro e capacidade de adaptar a mensagem sem perder a própria identidade. É a partir dessa perspectiva que a JG TV reúne, neste episódio especial, trechos de entrevistas realizadas ao longo de um ano.

Participam da seleção Isabella Saes, radialista e mentora em Comunicação; Camila Goytacaz, especialista em Comunicação Não Violenta; e Carla D’Elia, linguista e fundadora da Save Me Teacher.

As conversas atravessam diferentes situações em que a comunicação interfere diretamente nas relações: apresentações diante das câmeras, liderança, conflitos no ambiente corporativo, comunicação digital, aprendizagem de idiomas e negociações entre pessoas de diferentes culturas.

Comunicação exige prática, presença e autenticidade

Para Isabella Saes, desenvolver a comunicação não é um processo instantâneo. É necessário combinar autoconhecimento e prática.

Na entrevista, ela destaca que, além de compreender as próprias emoções, quem deseja aprimorar sua comunicação precisa incorporar o treino à rotina. Falar diante de uma câmera, apresentar-se em público ou desenvolver uma comunicação mais natural são habilidades que se constroem progressivamente.

A ideia também aparece associada à autenticidade. Ser espontâneo, nesse contexto, não significa dizer qualquer coisa em qualquer situação. É possível preservar a identidade e, ao mesmo tempo, compreender o ambiente, o público e o objetivo de cada comunicação.

A entrevistada também chama atenção para a comunicação de líderes. Em ambientes corporativos, uma mensagem mal compreendida pode gerar ruídos, retrabalho e dificuldades na execução das atividades. Por isso, adaptar a linguagem ao interlocutor é parte importante do processo.

Liderança também é comunicação

A conversa sobre liderança amplia a discussão para além das ferramentas de comunicação.

Na entrevista, aparece a ideia de que o líder precisa reconhecer a responsabilidade envolvida em suas palavras. A maneira como uma informação é transmitida pode interferir diretamente na experiência de quem a recebe.

Outro ponto destacado é a necessidade de conhecer as pessoas que fazem parte das equipes. A comunicação, nesse sentido, não se resume à transmissão de informações: envolve escuta, presença e compreensão das particularidades de quem está do outro lado.

A entrevista também aborda a humanização das relações profissionais e a diferença entre exercer um papel e vestir uma máscara. Um líder pode ocupar uma posição de autoridade sem precisar abandonar sua dimensão humana.

Comunicação Não Violenta começa pela observação

A entrevista com Camila Goytacaz apresenta a Comunicação Não Violenta (CNV) como uma ferramenta que pode ser aplicada às relações cotidianas e profissionais.

Um dos exemplos apresentados parte de uma situação de conflito entre colegas de trabalho. Em vez de interpretar imediatamente as intenções da outra pessoa, a proposta é criar algum distanciamento para observar o que efetivamente está acontecendo.

A partir daí, a conversa apresenta os quatro elementos trabalhados na CNV: observação, sentimento, necessidade e pedido.

A mudança de perspectiva pode alterar a maneira como um conflito é percebido. Em vez de transformar a situação em uma narrativa sobre quem está certo ou errado, a pessoa pode identificar o que está sentindo, reconhecer suas necessidades e formular um pedido mais claro.

Nem tudo é pessoal na comunicação digital

Outro aspecto discutido na entrevista sobre CNV é a comunicação mediada pelas telas.

Mensagens de texto eliminam elementos presentes em uma conversa presencial, como olhar, entonação, expressão corporal e presença. Uma resposta curta pode ser interpretada de maneiras diferentes dependendo de quem a recebe.

O mesmo ocorre quando alguém não responde imediatamente a uma mensagem. A ausência de resposta pode ser interpretada como rejeição ou desinteresse, embora existam diversas outras possibilidades.

A reflexão proposta é justamente evitar transformar automaticamente o comportamento do outro em algo pessoal. A comunicação exige também reconhecer que cada pessoa possui suas próprias demandas, limites e circunstâncias.

Diversidade também passa pela comunicação

A seleção de entrevistas aborda ainda as transformações provocadas pela ampliação da diversidade na comunicação e na representação.

O debate chama atenção para o fato de que linguagem, representação e inclusão não são questões meramente formais. A escolha das palavras e a maneira como diferentes grupos são representados interferem na forma como as pessoas se reconhecem nos espaços de comunicação.

A conversa também aborda o cuidado com a linguagem e a importância de considerar como cada pessoa prefere ser tratada.

Mais do que decorar uma lista de palavras consideradas corretas, a reflexão apresentada é sobre desenvolver atenção e respeito ao interlocutor.

Aprender inglês não termina quando o curso acaba

Na entrevista com Carla D’Elia, a discussão sobre comunicação ganha uma dimensão internacional.

A linguista questiona a ideia de que o aprendizado de um idioma tenha um ponto final. Assim como outras habilidades, uma língua precisa ser utilizada e praticada para que seus conhecimentos sejam mantidos e ampliados.

O inglês profissional, segundo a abordagem apresentada na entrevista, também não pode ser reduzido ao domínio de regras gramaticais.

Comunicação intercultural exige leitura do contexto

Um dos pontos centrais da conversa com Carla D’Elia é a chamada comunicação intercultural.

Em uma negociação ou reunião internacional, conhecer o idioma é apenas uma parte do processo. É necessário observar como diferentes culturas utilizam a linguagem, interpretam comportamentos e estabelecem relações profissionais.

Uma mesma atitude pode ser interpretada de maneiras distintas dependendo do contexto cultural. O grau de formalidade, a relação com horários, a maneira de fazer pedidos e até a divisão de uma conta em um restaurante podem carregar significados diferentes.

Por isso, a entrevista propõe uma ideia importante para quem trabalha em ambientes internacionais: comunicação eficiente não é apenas saber o que dizer, mas compreender para quem, quando e de que maneira dizer.

O desafio da comunicação escrita

A entrevista também diferencia a comunicação presencial da comunicação escrita.

Em uma conversa ao vivo, existe a possibilidade de perceber imediatamente a reação do interlocutor e corrigir uma afirmação. Na escrita, essa possibilidade é menor.

Um e-mail ou documento pode ser lido sem a presença de quem o escreveu. Por isso, revisão, contexto e escolha das palavras ganham ainda mais importância.

A comunicação escrita também pode ser influenciada pela cultura da empresa, pelo perfil do interlocutor e pelo contexto profissional. Não existe, portanto, uma única fórmula válida para todos os ambientes.

Comunicação é uma habilidade em permanente construção

Ao reunir entrevistas realizadas em diferentes momentos, o episódio especial da JG TV mostra que a comunicação atravessa praticamente todas as dimensões da vida profissional.

Ela está presente quando alguém fala diante de uma câmera, conduz uma equipe, oferece um feedback, enfrenta um conflito, escreve uma mensagem, negocia em outro idioma ou tenta estabelecer uma relação com alguém de uma cultura diferente.

As entrevistas de Isabella Saes, Camila Goytacaz e Carla D’Elia convergem, cada uma a partir de sua área de atuação, para uma ideia comum: comunicação não é apenas transmissão de informação.

É também presença, percepção, prática, escuta e capacidade de compreender que existe sempre alguém do outro lado da mensagem.

E, em um cenário profissional cada vez mais marcado por relações digitais, equipes diversas e interações interculturais, desenvolver essa capacidade passa a fazer parte do próprio processo de trabalho.

Sobre as entrevistadas

Isabella Saes é jornalista, comunicadora e mentora em Comunicação. Sua trajetória inclui atuação em televisão e rádio, além de mentorias, treinamentos e trabalhos voltados à comunicação, posicionamento e desenvolvimento pessoal.

Carla D’Elia é linguista, mestre em Linguística Aplicada pela USP e fundadora da Save Me Teacher, plataforma voltada ao inglês para o trabalho. 

Camila Goytacaz participa da seleção como especialista em Comunicação Não Violenta, abordando na entrevista princípios da CNV aplicados às relações profissionais e pessoais.

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