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Empreendedorismo jovem cresce e muda os caminhos da carreira

Jovens brasileiros buscam empreendedorismo e começam a influenciar também a forma como essa geração enxerga carreira, educação e futuro profissional. Dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizado em parceria com o Sebrae, mostram que 31,6% dos adultos brasileiros estão envolvidos em alguma atividade empreendedora, formal ou informal. Entre os novos empreendedores, 55% têm entre 18 e 24 anos.

O movimento acompanha mudanças nas expectativas profissionais da chamada geração Z, nascida entre 1997 e 2012. Segundo levantamento da Cia de Talentos, realizado em 2021, metade dos jovens de 13 a 25 anos manifestava o desejo de abrir uma empresa no futuro.

Mais do que uma alternativa de renda, empreender passa a aparecer como possibilidade de construção de trajetória profissional, autonomia e realização de projetos próprios. Nesse cenário, a educação ganha importância para preparar os jovens não apenas para abrir negócios, mas para tomar decisões, lidar com desafios e desenvolver competências exigidas pelo mercado.

Educação e empreendedorismo caminham juntos

O crescimento do empreendedorismo jovem também amplia a discussão sobre formação. De acordo com os dados apresentados pela GEM, 74% dos empreendedores entrevistados tinham ensino médio ou menos. Entre os jovens, porém, 70% haviam concluído o ensino superior. O contraste sugere uma relação entre escolaridade e a preparação de uma nova geração interessada em desenvolver negócios.

A formação, portanto, pode desempenhar um papel estratégico na construção de carreiras mais preparadas para um mercado em transformação. O contato com tecnologia, inovação, pensamento crítico e resolução de problemas ainda durante a educação básica pode ampliar o repertório profissional antes mesmo da entrada no mercado de trabalho.

É nesse contexto que iniciativas voltadas à educação empreendedora procuram aproximar os estudantes de ferramentas que serão importantes para as profissões do futuro.

Inovação começa antes da entrada no mercado

Um exemplo é o projeto Conectados, desenvolvido pela Criape em Mangaratiba e Petrópolis, no Rio de Janeiro. A iniciativa, que conta com patrocínio da BRQ e da Casa do Alemão e do Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet, leva programação, robótica educacional e cultura maker a crianças de escolas públicas.

A proposta é utilizar o aprendizado prático para estimular criatividade, autonomia e capacidade de solucionar problemas reais. Ao experimentar tecnologias e desenvolver projetos, os estudantes entram em contato com habilidades que podem fazer diferença tanto para o empreendedorismo quanto para diferentes caminhos profissionais.

O projeto também trabalha competências comportamentais, conhecidas como soft skills, ampliando a preparação dos jovens para o mercado de trabalho. Entre as habilidades desenvolvidas estão pensamento computacional, raciocínio lógico, criatividade, autonomia, alfabetização tecnológica e resolução de problemas.

Carreira exige mais do que conhecimento técnico

A preparação para o futuro profissional não depende apenas do domínio de ferramentas. A capacidade de aprender continuamente, trabalhar com problemas complexos, criar soluções e adaptar-se às transformações tecnológicas também ganha importância.

No caso do empreendedorismo, essas competências podem ser decisivas para transformar uma ideia em um negócio sustentável. Afinal, começar uma empresa não significa necessariamente conseguir mantê-la.

Dados do IBGE citados na matéria mostram que uma em cada cinco empresas fecha antes de completar um ano. Entre as microempresas, o índice chega a 25%, enquanto 9% das pequenas empresas e 8% das médias e grandes encerram as atividades no primeiro ano.

Nesse cenário, a educação empreendedora pode contribuir para que futuros empresários desenvolvam uma visão mais ampla sobre planejamento, inovação, mercado e gestão de riscos.

Empreendedorismo pode ampliar oportunidades

A discussão sobre empreendedorismo jovem também está relacionada à falta de oportunidades profissionais. Para Marianna Muniz, coordenadora geral do Conectados, estimular crianças a experimentar, aprender e conhecer novas possibilidades pode ajudar a ampliar perspectivas para o futuro.

A ideia é que a formação comece antes da escolha de uma profissão ou da abertura de uma empresa. Ao desenvolver autonomia, criatividade e capacidade de solucionar problemas, os jovens ampliam as possibilidades de atuação em um mercado de trabalho cada vez mais influenciado pela tecnologia e pela inteligência artificial.

Jovens empreendedores e o futuro do trabalho

O avanço do empreendedorismo entre os jovens mostra que a carreira tradicional deixou de ser o único caminho considerado por essa geração. Criar um negócio, desenvolver uma solução ou transformar uma habilidade em fonte de renda também pode fazer parte da trajetória profissional.

Para que esse movimento resulte em negócios mais preparados e carreiras mais sustentáveis, entretanto, é necessário combinar iniciativa com formação. Educação, tecnologia, competências socioemocionais e capacidade de adaptação formam uma base importante para quem pretende empreender ou simplesmente se preparar para as novas demandas profissionais.

Mais do que estimular a abertura de empresas, a educação empreendedora pode ajudar a formar profissionais capazes de identificar oportunidades, enfrentar problemas e criar soluções. Esse repertório tende a beneficiar não apenas quem decide empreender, mas também o mercado de trabalho e as comunidades nas quais esses novos negócios estão inseridos.

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