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Desenvolvimento Humano
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Redação
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Autoconhecimento e competências humanas redefinem a liderança
A formação de líderes exige mais do que conhecimento técnico e domínio do mercado. Em um cenário de transformações nas relações de trabalho e avanço da inteligência artificial, o autoconhecimento e o desenvolvimento das competências humanas ganham importância para a tomada de decisões, a gestão de equipes e a construção de resultados sustentáveis.
Essa é uma das questões discutidas na primeira entrevista à distância da quarta temporada da JG TV, conduzida por Jussara Goyano com Patrícia Wazlavick e Gustavo Fronza, executivos da AMF – Antonio Meneghetti Faculdade.
Durante a conversa, os entrevistados abordaram a importância das chamadas self-skills, competências relacionadas à gestão de si mesmo, e sua relação com o desempenho profissional.
A discussão também envolveu os desafios de aproximar a formação acadêmica das necessidades das empresas, preparar profissionais para diferentes contextos e desenvolver lideranças capazes de reconhecer o potencial das pessoas.
Para Patrícia e Gustavo, o desenvolvimento profissional não se limita à aquisição de conhecimentos técnicos. Ele também depende da capacidade de compreender as próprias características, reconhecer limitações e transformar habilidades em ações concretas no ambiente de trabalho.
Formação de líderes e os critérios para tomar decisões
O desenvolvimento das competências humanas acompanha a formação técnica e precisa fazer parte de uma trajetória contínua de aprendizagem. Patrícia destaca que a educação executiva deve considerar as diferentes etapas da vida e as mudanças que afetam a atuação profissional.
“Hoje, como a gente tem, inclusive pelo próprio desenvolvimento da ciência, da tecnologia, da biomedicina, uma possibilidade de longevidade muito maior, a gente tem que investir nessa formação, de fato, humana e das capacidades”, afirma.
A entrevistada ressalta que competências comportamentais e habilidades para a vida precisam caminhar junto com o conhecimento técnico. Nesse contexto, a liderança não deve ser entendida apenas como uma função ocupada por gestores ou executivos, mas como uma capacidade que começa na maneira como cada pessoa conduz a própria trajetória. “Em primeiro lugar, a gente tem que ser líder da nossa própria vida”, afirma Patrícia.
Gustavo Fronza também relaciona o autoconhecimento à capacidade de identificar competências e estabelecer critérios para tomar decisões. Segundo ele, o acesso à informação e aos recursos tecnológicos tornou o conhecimento técnico mais disponível, o que amplia a importância das características que diferenciam cada profissional.
Para o entrevistado, conhecer a si mesmo ajuda a definir objetivos e a evitar que as decisões sejam determinadas exclusivamente pelas expectativas externas, pelas exigências do mercado ou pela influência de outras pessoas.
Liderança humanizada valoriza o potencial das equipes
A transformação do papel do líder também foi um dos temas da entrevista. O modelo baseado exclusivamente no comando, no controle de tarefas e na cobrança de resultados perde espaço diante da necessidade de desenvolver pessoas, construir confiança e estimular a autonomia.
Na avaliação de Patrícia, a formação de lideranças precisa partir da compreensão de que as organizações são constituídas por pessoas. Por isso, entender as relações humanas é fundamental para identificar competências, distribuir responsabilidades e encontrar soluções para os desafios corporativos.
A entrevistada apresenta a metodologia “ser, saber e fazer”, adotada pela instituição, como uma forma de conectar desenvolvimento pessoal, conhecimento e aplicação prática.
O primeiro eixo está relacionado ao reconhecimento das próprias capacidades e ao desenvolvimento da inteligência individual. O segundo envolve a aquisição dos conhecimentos necessários à atuação profissional. O terceiro corresponde à aplicação desse aprendizado para solucionar problemas e produzir resultados.
Essa perspectiva também considera a capacidade do líder de reconhecer o potencial dos integrantes da equipe. Em vez de apenas distribuir tarefas, cabe a ele identificar habilidades, compreender dificuldades e criar condições para que cada profissional possa se desenvolver.
Gustavo acrescenta que uma liderança consistente precisa ser reconhecida pela própria postura, e não apenas pela autoridade formal do cargo. Para ele, o exemplo, a coerência e a capacidade de orientar as pessoas contribuem para estabelecer relações de confiança.
Nesse sentido, o líder precisa equilibrar a busca por resultados com o desenvolvimento da equipe. A eficiência não se resume ao cumprimento de metas quando o processo compromete as relações de trabalho ou afasta os profissionais da organização.
Self-skills conectam desempenho profissional
A entrevista também discute a distância entre a formação oferecida tradicionalmente pelas instituições de ensino e as necessidades práticas das empresas. Para Patrícia, aproximar a academia do mundo dos negócios é um dos desafios da educação executiva, especialmente quando as organizações buscam profissionais capazes de resolver problemas e assumir responsabilidades.
Ela observa que o desenvolvimento de competências como autonomia, negociação, liderança e comunicação exige mais do que contato superficial com os conteúdos. É necessário que os profissionais assumam uma postura ativa diante do próprio aprendizado.
Nesse contexto, as self-skills ganham destaque por tratarem da gestão de si mesmo. A proposta é ampliar a compreensão sobre as próprias atitudes, escolhas e responsabilidades, considerando que o comportamento individual influencia tanto o desempenho quanto as relações profissionais.
Patrícia ressalta que nem tudo depende exclusivamente do indivíduo, uma vez que as pessoas estão inseridas em contextos sociais e organizacionais. Ainda assim, a maneira como cada uma age ou deixa de agir tem consequências para o trabalho e para a convivência com os outros.
O autoconhecimento também pode ajudar a reconhecer padrões de comportamento que limitam o desenvolvimento. Gustavo cita, por exemplo, profissionais que buscam apenas a aprovação dos demais e acabam se cercando de pessoas que concordam com suas opiniões.
Nessas situações, a dificuldade de acolher críticas pode reduzir a capacidade de avaliar a realidade e identificar oportunidades de melhoria. Reconhecer essas limitações permite rever comportamentos, ampliar perspectivas e tomar decisões mais conscientes.
A importância da inteligência humana
O avanço da inteligência artificial acrescenta novas questões à formação executiva. Embora as ferramentas tecnológicas facilitem o acesso à informação, a organização de dados e a realização de determinadas tarefas, os entrevistados defendem que sua utilização exige capacidade de análise, julgamento e responsabilidade.
Patrícia observa que a tecnologia pode acelerar processos, sintetizar conteúdos e oferecer respostas, mas destaca que a interpretação e a criação continuam exigindo participação humana.
“A inteligência artificial hoje resume, ela acelera, a gente ganha tempo, ela sintetiza, ela traz muitas coisas prontas. Mas o que continua sendo humano é justamente a capacidade a partir disso de analisar profundamente, avaliar, criar”, afirma.
Gustavo segue a mesma linha ao explicar que a tecnologia pode facilitar atividades operacionais e o cruzamento de dados. No entanto, cabe ao profissional interpretar os resultados e decidir como utilizá-los.
A discussão reforça a importância de desenvolver critérios para avaliar informações e tomar decisões. O domínio de ferramentas digitais, por si só, não garante que um profissional consiga identificar problemas ou escolher a melhor solução.
A formação executiva, portanto, precisa combinar conhecimento técnico, capacidade analítica, criatividade e responsabilidade no uso da tecnologia. O objetivo é preparar pessoas que saibam utilizar os recursos disponíveis sem abrir mão do julgamento humano.
Ética e desenvolvimento integral
Outro aspecto abordado na entrevista é a relação entre liderança, ética e responsabilidade. Para Patrícia, a atuação profissional não pode ser separada das escolhas individuais e da maneira como cada pessoa se relaciona com os demais.
A entrevistada organiza essa reflexão em diferentes dimensões: a responsabilidade consigo mesmo, as relações pessoais, os vínculos com os colaboradores e o impacto das decisões sobre o mercado e a sociedade.
Essa abordagem amplia a compreensão sobre o papel do líder nas organizações. Além de responder pelos resultados, ele influencia a cultura de trabalho, as oportunidades de desenvolvimento das equipes e a forma como as relações profissionais são construídas.
A discussão também se aplica ao uso da inteligência artificial no ambiente educacional e corporativo. Segundo Patrícia, o uso dessas ferramentas precisa ser acompanhado de responsabilidade, respeito e reconhecimento das contribuições de outras pessoas.
A formação humana, nessa perspectiva, não se limita ao ambiente profissional. Hábitos cotidianos, cuidados com o estilo de vida, organização pessoal e qualidade das relações também influenciam a maneira como cada indivíduo trabalha e enfrenta desafios.
Gustavo ressalta que o desempenho depende não apenas dos recursos disponibilizados pelas empresas, mas também da capacidade de cada profissional de transformar oportunidades de aprendizagem em resultados concretos.
Liderança e novas gerações exigem adaptação
A convivência entre diferentes gerações também representa um desafio para as organizações. Profissionais com experiências distintas precisam compartilhar conhecimentos, adaptar formas de comunicação e encontrar maneiras de trabalhar em conjunto.
Para Patrícia, compreender essas diferenças é essencial para desenvolver pessoas e evitar que as características de uma geração sejam tratadas como limitações. A formação de líderes deve considerar as transformações culturais e tecnológicas que influenciam a maneira como os profissionais aprendem, trabalham e se relacionam.
Gustavo destaca que os jovens podem trazer perspectivas diferentes e contribuir com novas soluções. Em vez de classificar as novas gerações como despreparadas, ele defende que as empresas reconheçam suas capacidades e ofereçam orientação para o desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade profissional.
O papel do líder, nesse cenário, também envolve ensinar, acompanhar e estabelecer limites. A construção de relações produtivas depende do equilíbrio entre abertura ao diálogo, clareza de expectativas e desenvolvimento de uma postura profissional.
A capacidade de adaptação, portanto, não deve ser atribuída apenas aos jovens ou aos profissionais em início de carreira. As organizações e suas lideranças também precisam rever práticas e desenvolver formas de interação compatíveis com um mercado em transformação.
Mudanças tecnológicas, novas relações de trabalho
Durante a entrevista, Patrícia também apresentou a expansão da AMF – Antonio Meneghetti Faculdade para São Paulo e Santa Catarina, movimento relacionado à demanda por formação executiva identificada pela instituição.
Segundo ela, desde 2023, cerca de 117 gestores, empresários, empreendedores, líderes e outros profissionais de São Paulo e Santa Catarina se deslocaram para estudar nos programas de educação executiva oferecidos pela faculdade. Patrícia também informou que aproximadamente 30% das matrículas nessa frente são subsidiadas pelas empresas.
Entre as iniciativas mencionadas estão o MBA em Identidade Empresarial, a Alta Formação Empresarial, o programa Alta Formação Empresarial Novos Líderes e os cursos de especialização.
A instituição também desenvolveu uma formação voltada a novos líderes, organizada em módulos que combinam o desenvolvimento pessoal, a compreensão do negócio, a gestão de equipes e a aplicação prática dos conhecimentos.
Ao longo da conversa, a principal mensagem é que a formação de líderes não se encerra no domínio de técnicas ou ferramentas de gestão. Em um mercado marcado por mudanças tecnológicas, novas relações de trabalho e exigências crescentes, o desenvolvimento profissional também depende da capacidade de compreender a si mesmo, reconhecer o potencial dos outros e assumir responsabilidade pelas próprias decisões.
Assista!
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