Equilíbrio impulsiona empreendedores fortes
A capacidade de transformar crises em aprendizado e construir mecanismos para preservar o equilíbrio emocional pode ser um dos principais diferenciais de quem consegue permanecer no empreendedorismo por décadas.
Essa foi uma das principais reflexões apresentadas pela CEO da Amakha Paris, Denise Lemos, durante o episódio especial da JG TV Casa Aberta, ao afirmar que cada desafio vivido ao longo da carreira serviu para prepará-la para liderar uma empresa com milhões de revendedores e centenas de colaboradores.
“Eu vejo a minha trajetória como isso, eu sendo preparada para ser a Denise forte e capaz para estar hoje dirigindo a empresa“, resumiu a empresária ao refletir sobre sua jornada marcada por falências, perdas financeiras, mudanças de carreira e reinvenções constantes.
A declaração sintetiza o tema do episódio especial do projeto JG TV Casa Aberta, gravado com plateia e apresentado pela jornalista Jussara Goyano. Veiculado em 30 de junho de 2026 como o terceiro episódio da terceira temporada, reuniu Denise Lemos, CEO da Amakha Paris; Rogério Bragherolli, psicanalista e mentor de executivos; e Deivyd Barros, fundador da Investeens e educador financeiro, para discutir “Saúde emocional do empreendedor: o custo que ninguém calcula“.
Empreendedorismo precoce
Para Denise, o empreendedorismo nunca foi uma escolha racional feita na vida adulta. Segundo ela, nasceu ainda na infância, quando transformava brincadeiras em pequenas negociações e vendia bombons nos encontros promovidos pela igreja frequentada pelos pais.
Mais tarde vieram as vendas de roupas, bijuterias, frutas e, posteriormente, cosméticos. Antes de chegar ao setor da beleza, a empresária atravessou caminhões de abacaxi entre o Espírito Santo e o Ceasa de Campinas, experiência que considera uma das maiores escolas de gestão da sua vida.
Foi justamente nesse período que enfrentou uma das primeiras grandes decepções empresariais.
“Aprendi muito cedo que com confiança em excesso a gente tem que tomar muito cuidado. Delegar até um certo ponto, mas o dono sempre tem que estar ali com seus olhos atentos a tudo na operação“, afirmou, ao lembrar do prejuízo causado por uma pessoa de extrema confiança.
Os desafios, porém, não pararam ali
Após deixar o setor financeiro e abrir uma loja de roupas infantis, Denise enfrentou outro duro golpe. Durante um período em que precisou cuidar da saúde do pai, descobriu desvios de mercadorias e perdeu praticamente todo o estoque.
Ela descreveu aquele momento como muito mais doloroso do que simplesmente perder dinheiro. “Uma quebra não é só perda financeira. É você lidar com frustração, com incertezas, se questionar: será que eu não sou capaz?“
A empresária contou que chegou a interromper a carreira para dedicar-se aos filhos. Entretanto, uma dificuldade financeira da família mudaria novamente seu rumo profissional.
Sem dinheiro sequer para a passagem de ônibus do marido, encontrou na cozinha uma bandeja de doces que havia sobrado da festa do filho. O que parecia um episódio doméstico transformou-se em um novo negócio.
Os primeiros R$ 24 obtidos com as vendas não foram utilizados para resolver a necessidade imediata. “Ao invés de dar o dinheiro para ele pegar o ônibus, falei: vamos comprar mais leite condensado porque senão o capital acaba“, recordou.
Inovação no mercado brasileiro
A lógica de reinvestir o lucro acabaria se tornando uma característica permanente da empresária.
Anos depois, após migrar para o segmento de cosméticos, Denise acumulou conhecimento técnico sobre fragrâncias, ativos e processos industriais. Em 2017 decidiu fundar, ao lado do irmão, a Amakha Paris, apostando em uma inovação ainda inexistente no mercado brasileiro com perfumes de bolsa de 15 ml.
Segundo ela, a proposta ia além do produto. A empresa nasceu com um plano de desenvolvimento para revendedores e buscava criar oportunidades de geração de renda por meio da venda direta, modelo que posteriormente alcançaria mais de dois milhões de cadastros de revendedores.
Embora os números chamem atenção, Denise afirma que o maior patrimônio construído foi a transformação de vidas. “O que mais me realiza é ver que outras pessoas também puderam transformar suas vidas através da oportunidade da Amakha Paris“, declarou.
Independência financeira feminina
Ela destacou ainda projetos voltados à independência financeira feminina, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade. Segundo a empresária, muitos cursos gratuitos oferecidos pela empresa permitiram que participantes conquistassem autonomia econômica e deixassem relacionamentos abusivos.
A pandemia de Covid-19 foi apontada como o maior teste emocional de sua carreira.
Com o principal canal de vendas paralisado pelas restrições sanitárias, Denise afirmou que sua maior preocupação deixou de ser apenas a empresa”. A grande dificuldade foi manter pessoas, manter famílias. Era a responsabilidade de sustentar mais de 200 funcionários quando ninguém podia sair para vender“, lembrou.
A resposta veio por meio da rápida digitalização da operação, criação de treinamentos online, implantação do modelo de “sacolinha 24 horas” e incentivo às vendas digitais.
O resultado surpreendeu
Mesmo em um dos períodos econômicos mais difíceis da história recente do país, a companhia registrou faturamento recorde. A trajetória da empresária dialoga com estudos sobre resiliência e saúde mental nas organizações.
Levantamento da Organização Mundial da Saúde mostra que ansiedade e depressão provocam perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo, reforçando a importância de ambientes organizacionais que priorizem o bem-estar psicológico. Já a Organização Internacional do Trabalho destaca que investir na saúde mental dos trabalhadores gera ganhos de produtividade e redução do absenteísmo.
Para Denise, entretanto, nenhuma estratégia empresarial substitui o cuidado com o próprio empreendedor.
Ela afirmou manter uma rotina de exercícios físicos, musculação, pilates, artes marciais, desenvolvimento humano e medicina bioenergética como parte do processo de fortalecimento emocional.
“Empreendedor que acha que vai empreender e que isso não vai mexer com o emocional precisa se preparar física e emocionalmente para tudo“, concluiu.
Assista ao episódio na íntegra.
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